quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Artista: Hush Hush; Álbum: Oh God


Banda: Hush Hush
Álbum: Oh God
Ano: 2010
Gênero: Dance; Indie; R&B; Pop

É muito difícil resenhar um álbum de um artista tão underground quanto o Hush Hush. Conheci a banda durante uma visita a alguns amigos e achei interessante. Pesquisando na internet, cheguei ao nome do cérebro por trás de tudo: Christopher Kline, um artista (no sentido mais amplo que a palavra pode ter) americano que reside em Berlim. Clique no nome dele para conhecer os trabalhos. O cara trabalha com esculturas, pintura, música, entre outros.

Pois bem. Dizer exatamente o que chama mais a atenção no Hush Hush é mais difícil do que parece. Eu diria que o som carregado de sensualidade é o prato de abertura, mas tem muito mais por trás. Todas as letras falam sobre sexo ou sexualidade, mas com uma abordagem muito única e, por vezes, bizarra - já entrarei nos méritos líricos. O prato principal fica por conta do próprio Chirstopher Kline, que tem uma presença de palco no mínimo excêntrica. Vestido com um terno perfeitamente alinhado, o cantor barbado se remexe ao som das músicas, cantando no melhor estilo de Prince e fritando de acordo. Dê uma olhada neste vídeo para entender melhor:

Agora que você sabe um pouco sobre a banda/artista, vou falar do álbum, o debut Oh God, de 2010.

A levada do álbum é peculiar. Como eu disse, as músicas esbanjam sensualidade e transpiram influências interessantíssimas. A faixa de abertura, Hey Mama (a do vídeo acima), soa como um Justin Timberlake do mal. O refrão chiclete ("Hey mama, mama/What d'you want with my body-my body?") tem o mesmo clima desafiador de Sexy Back, mas o tom da música é muito mais pesado. O flerte com o pop que ocorrerá durante todo o álbum é escancarado aqui.

Yin-Yang tem um clima diferente, com um ritmo mais arrastado e um baixo mais melódico. A voz lânguida de Kline, em dueto com ele próprio, chama o (a) ouvinte: "I wanna make you cry, I want a sixty-nine". É sexy de uma maneira bem diferente da primeira faixa, mas não deixa a peteca cair. Bela música.

O pop frenético volta em Open Your Mouth. A letra sacana, que convida o (a) ouvinte a "abrir a boca o máximo que conseguir" para "dar uma coisa que sua mãe não vai entender" tem uma percussão marcante e um toquezinho de Prodigy no arranjo. O jeito que Kline trabalha as vozes é bem similar, sempre harmonizando consigo mesmo e criando refrões-chiclete - bons, no caso. Como o pop deve ser.

Don't Ever Wanna See You Lonely tem uma levada muito mais para o soul setentista, com o baixo marcado e bateria suingadíssima. Lembra de leve algumas das músicas mais leves do Jamiroquai, com os falsetes funcionando muito bem. Tem um clima muito mais cool e relax que as anteriores, mas não deixa de ser uma ótima faixa.

Leave On flerta muito com o indie, começando no piano e trazendo um vocal mais grave que nas faixas anteriores. Com uma letra mais romântica, falando de sweet love, ela se destaca por ser muito destoante das demais. Mas não chega a ser tão divertida, e talvez seja o ponto fraco de Oh God.

Sex Party, em compensação, é um dos pontos altíssimos. Tanto a linha de baixo quanto a de vocal são viciantes, com muita influência, novamente, de Justin Timberlake. Uma levada muito mais cool, minimalista, combinada com a letra hipersexual que descreve, como o nome sugere, uma orgia. Baby, everyone we know gettin' down on the floor.

De longe a mais bizarra é Bloody Sex. Se você entende inglês, o título já dá uma idéia do que se trata: sexo com uma mulher menstruada. Mas não apenas sexo, e sim sexo oral. Com uma voz de zumbi, Kline geme "I want blood". Então começa a descrever como, ao olhar para baixo, tem a impressão de se deparar com uma cena de assassinato. E claro, o refrão engraçadíssimo onde ele e uma mulher tem o seguinte diálogo:
-But I have my period!
-You think that I care? I don't care.
-Okay.
-I don't care.
-Okay.
A levada quebrada e sexy dá um clima bizarríssimo, mas interessante e divertido. Ótima faixa.

My Baby's Got It Bad começa com um sintetizador pesado e segue a linha do pop de Hey Mama e Open Your Mouth, com vocais em falsete e um tom provocativo. Gosto do contraste dos efeitos modernos com a percussão com som de madeira ao fundo. É uma boa faixa, mas não se destaca tanto perto das outras.

O gran finale é a divertida I Know Your Panties So Wet. Com o caricato sintetizadorzinho oitentista, Kline faz corar a ouvinte desavisada ao dizer saber que "sua calcinha está molhada/posso ver pelo jeito que você olha". É um belo encerramento para um belo disco.

Levar o clima sexy de Hush Hush a sério ou não fica por conta do freguês. O álbum tem ótimos arranjos, uma performance convincente de Kline como vocalista e compositor e letras inusitadas. É um ótimo álbum de pop, e acredito que uma pérola entre um mar de mesmices.

Recomendadíssimo.

Tracklist:
1. Hey Mama
2. Yin-Yang
3. Open Your Mouth
4. Don't Ever Wanna See You Lonely
5. Leave On
6. Sex Party
7. Bloody Sex
8. My Baby's Got It Bad
9. I Know Your Panties So Wet

Para escutar o disco inteiro, basta clicar aqui e ouvir no site da banda!
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