segunda-feira, 20 de março de 2006

Artista: Björk; Álbum: Medúlla



Artista: Björk
Álbum: Medúlla
Ano: 2004
Gênero: Avant-garde; acapella

O nome da figura é Björk Guðmundsdóttir. Ela é uma das 300 mil pessoas nascidas na remota ilha da Islândia, que fica entre a Groenlândia e a Noruega. Veio ao mundo em 21 de Novembro de 1965, e desde então recebeu infinitos rótulos. Seu primeiro lançamento aconteceu em 1977, quando a cantora tinha apenas 12 anos. Anos mais tarde, ela seria a principal figura da banda Sugarcubes, vindo a se tornar artista solo na década de 90.

O primeiro álbum solo da Björk é o ótimo Debut, que possui influência de pop, jazz, trip hop e outros gêneros. E embora o álbum tenha sido um sucesso, ela não se acomodou e inovou a cada álbum. Post apresentava variações incríveis, como a perfeita Hyperballad, que mistura música eletrônica de balada com violinos extremamente melódicos. Homogenic é tudo menos homogênico, contrastando a extremamente otimista Alarm Call com a caótica e furiosa Pluto. Vespertine é uma viagem sem precedentes, e então Björk ficou 4 anos sem lançar material novo.

Muita especulação se fez acerca de Medúlla, lançado em 2004. Era óbvio que ela estava tendendo ao minimalismo (Vespertine apresenta batidas extremamente delicadas, muitas imperceptíveis se não ouvidas com um fone de ouvido muito bom), mas quando ela anunciou que 99% dos sons ouvidos no álbum haviam sido produzidos sem instrumentos, ninguém sabia o que esperar.

Vários artistas foram convidados para participarem das gravações. Mike Patton, que já foi citado à exaustão neste blog, participa das faixas The Pleasure Is All Mine e Where Is The Line; Robert Wyatt, que já foi do Soft Machine, participa da faixa Submarine; a exótica "throat singer" (algo como cantora de garganta) esquimó Tagaq participa das faixas Ancestors e Mouth's Cradle; os beatboxes do álbum todo ficaram por conta do rapper Rahzel, que fazia parte da banda The Roots, e de Dokaka, um beatboxer japonês. É interessante notar que são músicos com diversos perfís. Conheço bastante o trabalho de Mike Patton, Rahzel e Dokaka, e são totalmente distintos.

Ao ouvir o CD, notamos que é diferente de tudo o que já foi feito por Björk. A faixa de abertura, a belíssima Pleasure Is All Mine, inicia com uma bela harmonia de vozes e, mais para frente, são as vozes que se transformam em plano de fundo, juntamente com o suave beatbox feito por Rahzel. O crescendo da canção causa arrepios e alguns gemidos vão surgindo, e ficamos com a impressão de que estamos ouvindo um coral de anjos fazendo sexo (se é que eles têm um).

Daí prá frente, temos faixas de todos os estilos. Show Me Forgiveness é um solo de Björk, mas a próxima faixa é extremamente sofisticada. Where Is The Line começa com Björk repetindo "Where is the line with you?", e logo ouvimos Mike Patton entrando com sua voz extremamente grave e, inesperadamente, uma avalanche de vozes e beatboxes preenchem a canção. O ritmo é incrível, quase primitivo, e é difícil não se surpreender.

Os grandes destaques do álbum são Who Is It (Carry My Joy On The Left, Carry My Pain On The Right), Submarine, Oceania, Ancestors, Mouth's Cradle e Triumph Of A Heart.

Who Is It foi o primeiro single, e apresenta uma deliciosa melodia e um refrão grudento. O beatbox feito por Rahzel impressiona pela perfeição. Submarine parece ter sido gravada por um coral de anjos de tão bela, com o silêncio sendo muito bem explorado. Oceania, o lindo bolero cantado por Björk na abertura dos jogos olímpicos de Sidney, tem a letra feita pelo poeta islandês Sjón. O ritmo com que o coral canta remete ao movimento das ondas do mar, numa incrível referência que independe da letra.

Ancestors é absurdamente experimental. Com um piano suave, Björk e Tagaq fazem harmonias totalmente excêntricas, com gemidos e sons guturais (afinal, como já foi citado, Tagaq é uma throat singer). Totalmente anti-convencional. Tagaq também participa de Mouth's Cradle, mas de um jeito totalmente diferente. Seus sons guturais funcionam quase como um beatbox, dando uma característica bem peculiar à música. E finalmente Triumph Of A Heart, com beatboxes de Rahzel e Dokaka. A música poderia tocar com facilidade em qualquer danceteria, mesmo sem ter qualquer elemento não-vocal. Os efeitos vocais de Dokaka são surpreendentes.

Tracklist:
1.
The Pleasure Is All Mine
2. Show Me Forgiveness
3. Where Is The Line

4. Vökuró
5. Öll Birtan
6. Who Is It (Carry My Joy On The Left, Carry My Pain On The Right)
7. Submarine
8. Desired Constellation
9. Oceania
10. Sonnets/Unrealities XI
11. Ancestors
12. Mouth's Cradle
13. Miðvikudags
14. Triumph Of A Heart

Recomendadíssimo do início ao fim.

Eis o clip de Oceania:
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