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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Banda: Masada; Álbum: Masada Guitars


Banda: Masada
Álbum: Masada Guitars
Ano: 2003
Gênero: Klezmer; instrumental

Quem acompanha este blog faz tempo ou já teve a curiosidade de dar uma olhada nos posts antigos vai se lembrar do nome Masada. 

Como pode ser observado no post que fiz sobre o debut da banda, o ótimo Alef, trata-se de um projeto do compositor, produtor e saxofonista John Zorn que mescla música judaica com jazz, música experimental e muitos outros gêneros. Entretanto, é mais uma coleção de músicas que uma banda em si. Vou tomar a liberdade de colar aqui o parágrafo explicativo que fiz no post de 2006, que falava exatamente isso:

O Masada lançou dez álbuns de estúdio com a formação clássica entre 1994 e 1997: Alef, Beit, Gimel, Dalet, Hei, Vav, Zayin, Het, Tet e Yod. Essa formação conta com John Zorn no saxofone, Dave Douglas no trompete, Greg Cohen no baixo e Joey Baron na bateria. Entretanto, em seus anos de atividade (desde 1993, ou seja, treze dezoito anos), diversos lançamentos fizeram do Masada uma banda muito mais interessante do que ela aparenta ser ao ouvir os dez álbuns com os quatro músicos: inúmeras formações diferentes tocando arranjos diferentes das músicas desses álbuns (e algumas que não entraram, visto que Zorn compôs mais de 200 músicas nesse período de 3 anos). A formação Bar Kokhba, por exemplo, conta com Mark Feldman no violino, Erik Friedlander no violoncelo, Greg Cohen e Mark Dresser no baixo, Marc Ribot na guitarra, Anthony Coleman e John Medeski no piano/órgão, David Krakauer e Chris Speed no clarinete, Kenny Wolleson na bateria e Dave Douglas no trompete. Esses músicos revezam em diversas formações e apresentam releituras belíssimas das músicas de Zorn, além de algumas que são executadas exclusivamente por esta formação. Outro álbum - Masada Guitars, por exemplo - conta com três guitarristas rearranjando as músicas da formação original, e apenas isso. São 21 faixas, todas contando com um guitarrista e sua guitarra, nada mais. Belíssimo álbum, mas vamos voltar e falar do primeiro dos primeiros: Alef.

Pois é, eu já citei o Masada Guitars há quase cinco anos e chegou a hora deste disco ter seu próprio post.

Em 2003, no décimo aniversário do primeiro álbum do Masada, John Zorn convidou três de seus guitarristas favoritos para interpretar 21 músicas do projeto de maneira minimalista, ou seja, são apresentações solo e, em sua enorme maioria, em violões ou em guitarras sem distorção.

Os três guitarristas escolhidos se destacam justamente por apresentarem estilos claramente distintos.

Bill Frisell tem raízes muito fortes no jazz, sendo considerado um dos grandes nomes dentro do estilo desde os anos 80. Isso, entretanto, não impede que o músico também seja reconhecido por utilizar diversos efeitos e recursos para tirar sons únicos da guitarra - mais ou menos como faz Tom Morello, mas mais focado para o avant-garde.

Tim Sparks se destaca pelas técnicas de dedilhado. Por ter estudado diversos gêneros musicais durante sua vida, ele consegue incorporar diferentes técnicas e feelings em suas interpretações das músicas de Zorn. Ele já trabalhou com diversos estilos de world music, incluindo fado e bossa nova.

Marc Ribot é um guitarrista experiente, que já trabalhou com diversos artistas do rock e do pop - Tom Waits, Elton John, Elvis Costello e Robert Plant são alguns deles. Entretanto, a zona de conforto de Ribot é o experimental, incorporando técnicas e estilos não convencionais ao jazz e ao rock.

O que me fascina no álbum é a como a música de Zorn, quando focada mais para o melódico, é bela e envolvente. Não se trata de um disco de guitarra no mesmo sentido que Yngwie Malmsteen ou Michael Angelo Batio fariam, mas de um álbum pleno, onde guitarristas interpretam melodias muito bem definidas ao seu estilo, sem se prolongar demais e sem tentar superar a velocidade do som. Basta pegar como exemplo as três faixas que abrem o álbum e introduzem os três guitarristas.

Abidan, com Bill Frisell, começa com um suave harmônico no violão e segue tranquilamente, em tempo livre, minimalista - é possível escutar a respiração do músico ao fundo. Já Kodashin, com Tim Sparks, segue num allegro, e a técnica do guitarrista fica evidente para quem nunca tinha ouvido falar dele. Ele a toca com uma naturalidade que parece que a canção foi feita para seu violão (apesar de estar no oitavo álbum da formação jazz do Masada, Het). Kedem, com Marc Ribot, tem um tom melancólico, favorecendo o feeling à precisão da execução.

O perfil do álbum é basicamente esse, apesar de cada composição ser única. Porém, existem duas outras faixas que eu gostaria de destacar.

Katzatz, com Frisell, é uma releitura genial da versão para a banda de jazz. Parece uma música de desenho animado, como se o Pica-Pau fosse 10x mais maluco e tomasse ecstasy. Assim:




E Frisell, com distorções, técnica e criatividade, reproduziu dessa maneira (clique no link para escutar a música).

Kanah talvez seja a minha favorita do álbum. A transcrição para violão ficou impecável, e a interpretação de Tim Sparks é assombrosa. Acho interessante ele utilizar uma guitarra de aço em um arranjo que parece ter sido feito para violão clássico.


Enfim; é um álbum essencial para quem admira guitarra e violão clássico, música instrumental e jazz.


Recomendadíssimo.

Tracklist (intérprete entre parênteses):

1. Abidan (Frisell)
2. Kodashin (Sparks)
3. Kedem (Ribot)
4. Bikkurim (Frisell)
5. Ravayah (Sparks)
6. Hadasha (Ribot)
7. Katzatz (Frisell)
8. Kanah (Sparks)
9. Hodaah (Ribot)
10. Kisofim (Frisell)
11. Sippur (Sparks)
12. Sansanah (Ribot)
13. Galgalim (Ribot)
14. Elilah (Frisell)
15. Kedushah (Sparks)
16. Shevet (Ribot)
17. Kochot (Frisell)

18. Tzalim (Ribot)
19. Kivah (Ribot)
20. Avelut (Frisell)
21. Moshav (Ribot)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Banda: Morphine; Álbum: Cure For Pain


Banda: Morphine
Álbum: Cure For Pain
Ano: 1993
Gênero: Rock Alternativo

Já fazia um tempo que eu estava pra postar uma resenha de um álbum dessa banda espetacular e desconhecida por muitos, o Morphine, mas sempre acabava esquecendo. Agora aqui está, sem mais delongas.

O Morphine era uma banda peculiar em todos os aspectos: um trio formado por Mark Sandman (vocal/baixo), Dana Colley (saxofone barítono/tenor) e, a partir do disco aqui resenhado, Billy Conway (bateria e percussão). Anteriormente, o lugar de Conway era ocupado por Jerome Dupree.

Um power trio sem guitarra já é algo muito incomum. Adicione isso ao fato de Sandman tocar um baixo de duas cordas com um slide (aquele acessório muito usado por guitarristas de blues, principalmente) e de, em algumas vezes, Colley tocar dois saxofones ao mesmo tempo (como este velhinho épico neste vídeo aqui). Não tem como a música ser mais do mesmo.

O debut do Morphine foi Good, lançado em 1992, e mostrava muito bem ao que a banda veio: uma música criativa e inteligente, que não se doma a um estilo único. Além disso, a música combina muito com o nome da banda. Tem um je ne sais quoi de chapante na música do Morphine.

Apesar de Good ser um bom debut, a banda evoluiu muito no álbum aqui resenhado. Cure For Pain foi lançado apenas um ano depois e mostra uma banda mais madura, com maior domínio sobre as possibilidades de composição para os três (quatro, contando o vocal) instrumentos usados.

Após a pequena introdução de Dawna, um curto solo de saxofone, o Morphine já entrega uma das melhores faixas do álbum: Buena. A introdução no baixo de Sandman já mostra todo o groove da música, e logo no começo do álbum já esquecemos que o Morphine não usa guitarras simplesmente porque elas não fazem falta aqui. O saxofone de Colley cumpre muito bem esse papel e, de quebra, ainda dá um som único à banda.

O disco altera muitos humores. Temos a profunda I'm Free Now, com sua linha de saxofone simples e bonita; All Wrong, com sua levada mais animada, ótima para dirigir e a belíssima balada Candy, com seu toque de soul e uma letra extremamente romântica. Um dos melhores momentos do álbum:

Candy asked me if she died if I could go on
Of course I said I couldn't and of course we knew that's wrong
But Candy, I said, Candy, no, you can't do that to me
Because you love me way too much for you to ever leave

Na língua de Camões:

Candy me perguntou se, se ela morresse, eu conseguiria continuar
É claro que eu disse que não poderia e é claro que ambos sabíamos que estava errado
Mas Candy, eu disse, Candy, não, você não pode fazer isso comigo
Porque você me ama demais para algum dia me deixar

Toda a doçura de Candy fica para trás na incrível A Head With Wings, com groove até o último fio de cabelo. Mais uma vez o destaque é o ótimo trabalho de sax de Colley.

O leitor que escutasse o álbum até aqui e depois escutasse In Spite Of Me ficaria, no mínimo, puto. "Como você me fala que só tem baixo, bateria e saxofone se isso não tem nada disso?". Pois é, uma música com violão e bandolim (tocado pelo músico Jimmy Ryan) em pleno Cure For Pain. Surpreendente ou não?

Mas como o Morphine gosta de surpreender ainda mais, depois vem a paulada Thursday, cheia de texturas e saxofones. Em alguns momentos remete até ao John Zorn (que, caso você não conheça, clique aqui ou aqui pra ter uma idéia do quanto esse cara é peculiar).

A faixa título tem uma levada bem simples, que lembra um pouco Waiting For My Ruca, do Sublime (ou é muita viagem minha?), mas não se destaca do resto do álbum (apesar de não ser ruim de maneira alguma). Mary Won't You Call My Name tem uma levada de bluegrass, com Sandman tocando violão além do habitual baixo. Certamente uma das mais originais do álbum.

Let's Take A Trip Together cumpre o que propõe. Incrivelmente viajante, tem até órgão (tocado por Sandman) e um climão de dub, apesar de não ser um. Sheila é um dos momentos menos inspirados do álbum, e a faixa de encerramento, Miles Davis' Funeral, é uma pequena faixa instrumental melancólica só para encerrar.

Cure For Pain é um belíssimo álbum e certamente o álbum certo para quem quer conhecer esta banda tão peculiar, que infelizmente teve um fim prematuro e súbito quando Mark Sandman faleceu em pleno palco de ataque cardíaco, em 1999, aos 46 anos.

Recomendadíssimo.

Tracklist:
  1. "Dawna" - 0:44
  2. "Buena" - 3:19
  3. "I'm Free Now" - 3:24
  4. "All Wrong" - 3:40
  5. "Candy" - 3:14
  6. "A Head with Wings" - 3:39
  7. "In Spite of Me" - 2:34
  8. "Thursday" - 3:26
  9. "Cure for Pain" - 3:13
  10. "Mary Won't You Call My Name?" - 2:29
  11. "Let's Take a Trip Together" - 2:59
  12. "Sheila" - 2:49
  13. "Miles Davis' Funeral" - 1:41

Abaixo, confira o Morphine tocando Buena ao vivo:

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Banda: Masada; Álbum: Alef


Banda: Masada
Álbum: Alef
Ano: 1994
Gênero: Jazz; Klezmer (música judaica)

É engraçado ver como este blog vai, aos poucos, se fechando. Vamos fazer uma retrospectiva:

Meu primeiro post de verdade foi sobre o Lovage, que é uma banda composta por Mike Patton, Jennifer Charles, Dan Nakamura e Kid Koala. Muito bem. Mike Patton já tocou em várias bandas, entre elas o Mr. Bungle, que já teve três resenhas publicados aqui. Ora, o guitarrista do Mr. Bungle era Trey Spruance, que - oh! - é a cabeça por trás do Secret Chiefs 3 e do Faxed Head, que já tiveram resenhas publicadas aqui. Mike Patton já fez uma participação no disco Medúlla, da Björk, e esse disco tem uma resenha aqui (e a Björk participou indiretamente em um clip do Faith No More, ex-banda de Patton, mas isso é assunto para outro post). Voltando ao Bungle, o produtor do primeiro álbum deles foi John Zorn, que tem no currículo bandas como o Naked City - que já tem uma resenha aqui - e o Masada, que é o "alvo" de hoje.

Quem não é fanático por música mas é fanático por história (ou é judeu, ou curioso) já deve ter ouvido o nome Masada, mas não como uma referência a uma banda. Masada foi um conjunto de fortificações localizado em uma enorme montanha (masada vem do hebraico "metzuda", fortaleza) e palco de uma das mais impressionantes histórias da antigüidade. O fim da primeira guerra entre judeus e romanos (também conhecida como a grande revolta dos judeus), que durou dos anos de 66 a 73, aconteceu em Masada quando, após mais de três meses de cerco, os romanos conseguiram romper os muros da fortaleza para encontrarem apenas os corpos de seus defensores. Muitos acreditam ter havido suicídio coletivo; outros acreditam que eles atacaram uns aos outros até o último homem, que teria cometido suicídio (afinal, a religião judaica condena o suicídio, como tantas outras) - tudo isso para não morrerem ou tornarem-se escravos nas mãos dos romanos.

Quem não é fanático por história mas é fanático por música talvez nunca tenha ouvido o nome Masada - mas procure ouvir. É muito difícil definir, mas vou tentar: imagine uma mistura entre free jazz e música judaica. Sendo absurdamente simplista, o Masada seria isso. Porém, as coisas tomaram proporções assustadoras.

O Masada lançou dez álbuns de estúdio com a formação clássica entre 1994 e 1997: Alef, Beit, Gimel, Dalet, Hei, Vav, Zayin, Het, Tet e Yod. Essa formação conta com John Zorn no saxofone, Dave Douglas no trompete, Greg Cohen no baixo e Joey Baron na bateria. Entretanto, em seus anos de atividade (desde 1993, ou seja, treze anos), diversos lançamentos fizeram do Masada uma banda muito mais interessante do que ela aparenta ser ao ouvir os dez álbuns com os quatro músicos: inúmeras bandas diferentes tocando arranjos diferentes das músicas desses álbuns (e algumas que não entraram, visto que Zorn compôs mais de 200 músicas nesse período de 3 anos). A formação Bar Kokhba, por exemplo, conta com Mark Feldman no violino, Erik Friedlander no violoncelo, Greg Cohen e Mark Dresser no baixo, Marc Ribot na guitarra, Anthony Coleman e John Medeski no piano/órgão, David Krakauer e Chris Speed no clarinete, Kenny Wolleson na bateria e Dave Douglas no trompete. Esses músicos revezam em diversas formações e apresentam releituras belíssimas das músicas de Zorn, além de algumas que são executadas exclusivamente por esta formação. Outro álbum - Masada Guitars, por exemplo - conta com três guitarristas rearranjando as músicas da formação original, e apenas isso. São 21 faixas, todas contando com um guitarrista e sua guitarra, nada mais. Belíssimo álbum, mas vamos voltar e falar do primeiro dos primeiros: Alef.

Gravado e lançado em 1994, teve a enorme responsabilidade de ser o carro-chefe - o álbum que mostra ao mundo a que a banda veio. E logo na primeira faixa, Jair, somos bombardeados com a banda em um jazz frenético e diferente, cheio de escalas diferentes e tempos quebrados. A precisão dos músicos é impressionante. A criatividade nas improvisações de todos os músicos é avassaladora, mantendo com fidelidade relações com o tema principal.
Temos, então, uma sucessão de faixas de diferentes perfis. Bith Aneth é lenta e densa; Tzofeh é oscilante em sua intensidade. O melhor do disco é a seqüência Tahah - Kanah. A primeira tem um ritmo agitado, guiado principalmente pelo baixo de Greg Cohen; a segunda é um épico lentíssimo cheio de belos duetos de Zorn e Douglas. Outra ótima faixa do álbum é Janohah, que por algum motivo me lembra um navio em movimento.

Sendo Zorn o músico experimental que é, era de se esperar que tivéssemos essa caracterítica em Alef. E ela é bem representada no jazz frenético de Zebdi. Extremamente veloz, com o sax e o trompete em uma briga furiosa.

Tracklist:
1. Jair
2. Bith Aneth
3. Tzofeh
4. Ashnah
5. Tahah
6. Kanah
7. Delin
8. Janohah
9. Zebdi
10. Idalah-Abal
11. Zelah

Um grande álbum, e o debut de uma banda que merece ser escutada não apenas por suas composições, mas também pelas releituras de suas próprias obras.

Recomendadíssimo.

domingo, 26 de fevereiro de 2006

Banda: Naked City; Álbum: Torture Garden


Banda: Naked City
Álbum: Torture Garden
Ano: 1990
Gênero: Jazzcore; Grindcore; Avant-garde

E voltamos às excentricidades, depois de mais de três semanas de silêncio.

Ao falar de Mr. Bungle, o nome de John Zorn apareceu entre as figuras mais importantes na criação do primeiro álbum - ele foi o produtor. Mas muita gente nunca ouviu falar dele, então vou tentar descrever este monstro do experimentalismo. Zorn é um compositor e saxofonista que possui sua própria gravadora (Tzadik), não possuindo, assim, quaisquer limitações para fazer sua música. Zorn é totalmente experimental, tendo muita influência de música de cinema, musica judia, improvisação e muitas outras coisas.

Estou longe de conhecer toda a obra de Zorn (durante a década de noventa, ele lançou uma média de 6 álbuns por ano!), mas escolhi este álbum (chamado Torture Garden) de um de seus projetos, o Naked City, porque foi o que mais me impressionou pela variedade.

Prá começar, o álbum, que foi lançado em 1991, tem 42 faixas e menos de 30 minutos. É mais ou menos no mesmo esquema do Fantômas (que tem muita influência de Zorn): uma seqüência frenética de riffs, gritos e sons. Mas tudo o que o Fantômas tem de organizado, Zorn tem de caótico. Seu saxofone desesperadamente agudo parece chorar, berrar. Os instrumentos são extremamente barulhentos, formando um caos assustador. Mas tudo isso cai como uma luva.

Tracklist:
1. Blood Is Thin
2. Demon Sanctuary
3. Thrash Jazz Assassin
4. Dead Spot
5. Bonehead
6. Speedball
7. Blood Duster
8. Pile Driver
9. Shangkuan Ling-Feng
10. Numbskull
11. Perfume of a Critic's Burning Flesh
12. Jazz Snob Eat Shit
13. The Prestigitator
14. No Reason to Believe
15. Hellraiser
16. Torture Garden
17. Slan
18. Hammerhead
19. The Ways of Pain
20. The Noose
21. Sack of Shit
22. Blunt Instrument
23. Osaka Bondage
24. Igneous Ejaculation
25. Shallow Grave
26. Ujaku
27. Kaoru
28. Dead Dread
29. Billy Liar
30. Victims of Torture
31. Speedfreaks
32. New Jersey Scum Swamp
33. S & M Sniper
34. Pigfucker
35. Cairo Chop Shop
36. Fuck the Facts
37. Obeah Man
38. Facelifter
39. N.Y. Flat Top Box
40. Whiplash
41. The Blade

42. Gob of Spit

Um tracklist extenso e uma variedade infinita. A quantidade de riffs e sons com que Zorn bombardeia o ouvinte é extrema. Sons guturais nonsense, baterias furiosas, guitarras pesadas, o já citado saxofone e muitas outras coisas. Não parece que tudo isso cabe em 25 minutos, mas cabe. E é, com certeza, muito diferente de tudo o que você já ouviu.

Recomendado.
Eis um vídeo do Naked City executando Speedfreak ao vivo:

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

Banda: Mr. Bungle; Álbum: Mr. Bungle



Banda: Mr. Bungle
Álbum: Mr. Bungle
Ano: 1991
Gênero: Avant-garde; Funk Metal


Finalmente resolvi começar minha aventura de fazer as resenhas dos álbuns do Mr. Bungle. Na resenha do debut do Fantômas, eu disse que faria pelo menos duas resenhas sobre esta banda fantástica, mas acho que, no fim, terei de fazer resenhas dos três álbuns. Os motivos são simples: cada álbum tem um estilo muito peculiar, e nenhum deles merece ser "excluído".

O Mr. Bungle teve seu início em 1985, mais ou menos, na cidade de Eureka, California (nome sugestivo). Era formada por Mike Patton (vocal), Trey Spruance (guitarra), Trevor Dunn (baixo) e Jed Watts (bateria). O nome veio de um filme escolar, aonde um palhaço porco, sujo e sem noção chamado Mr. Bungle mostrava como as crianças boas não deveriam agir.

A linha sonora do Bungle era, tentando definir por cima, um death metal maluco, com saxofones e bongôs. Pelo menos era o que a banda mostrava na demo The Raging Wrath Of The Easter Bunny ("A Incrível Fúria do Coelhinho da Páscoa"). Porém, em 1987, a banda gravou uma fita chamada Bowel Of Chiley e, nesta fita, a sonoridade do Mr. Bungle se apresentava totalmente diferente daquela registrada no ano anterior. Era uma mistura maluca de ska, swing, funk e metal, fazendo com que a banda chamasse os músicos Scott Fritz e Theo Lengyel para tocar os metais. Além disso, Jed Watts foi trocado por Hans Wagner.

A banda passou por outras gravações e tudo mais (para dar uma resumida), e a formação definitiva estabeleceu-se em 1989, com o lançamento da demo OU818, a última independente do Bungle. A banda contava com o trio Patton, Spruance e Dunn, e com os novos membros: o baterista Danny Heifetz e o saxofonista e tecladista Clinton "Bär" McKinnon.

O ano de 1989 foi essencial na carreira do Mr. Bungle, visto que foi nesse ano que Mike Patton foi chamado pelo Faith No More para substituir o vocalista Chuck Mosley. O Faith No More, então, lança o álbum The Real Thing, que acaba estourando no mundo todo com clássicos como Epic, From Out Of Nowhere e Falling To Pieces. Assim que Patton consegue algum dinheiro, o Bungle assina com a Warner e, em 1991, lança seu debut auto-intitulado.

O álbum foi produzido pelo lendário saxofonista avantgarde John Zorn, que inclusive participa na faixa Love Is A Fist. Algumas músicas já estavam presentes nas demos anteriores, e a banda seguiu a mesma linha adotada na demo de 1989 (ou seja, o ska foi bem amenizado e ocorreu uma influência maior do funk). O tracklist é o seguinte (clique nas músicas para escutar):


1. Travolta
2. Slowly Growing Deaf
3. Squeeze Me Macaroni

4. Carousel
5. Egg
6. Stubb (A Dub)
7. My Ass Is On Fire
8. The Girls Of Porn
9. Love Is A Fist
10. Dead Goon

Muitos críticos definiram este álbum como sendo "funk metal", mas acho muito simplista. Basta ouvir Travolta para ficar, no mínimo, incomodado. Ao colocar o vinil (ou CD, Mp3, whatever), você tem 30 segundos de silêncio absoluto. Então, ouve um click e a banda entra com tudo, com aquele teclado sinistro no fundo. Inicialmente parece que a música vai ser algo linear e comum, mas não: de repente, a banda começa a tocar um jazz e, em poucos segundos, alguma coisa semelhante a metal e soul. Enfim: tentar rotular esta banda é muito difícil.

O álbum em si é uma viagem. Diversos samples preenchem as músicas, desde vozes de jogos de videogame (como o Rise from your grave!, do clássico jogo de Mega Drive Altered Beast) até filmes pornográficos. As mudanças frenéticas de ritmo são um choque para quem nunca ouviu música do estilo. Já na segunda faixa, Slowly Growing Deaf, a banda começa com um funk e, em segundos, passa a uma melodia suave que, em segundos, será substituída por algo totalmente diferente.

O humor da banda é explícito. Com todas essas maluquices, encontramos uma música extremamente amigável e linear, bem pop mesmo. Quando vemos o nome, lemos The Girls Of Porn, e ao ouvir a música ouvimos gemidos obscenos e uma letra absurdamente explícita sobre pornografia e masturbação. Sendo assim, não teria como ser executada em uma rádio.

Em Squeeze Me Macaroni, é notável a semelhança com o estilo do Red Hot Chili Peppers no clássico Blood Sugar Sex Magik, também lançado em 1991. Porém, as quebras de ritmo e loucuras do Bungle fazem com que qualquer semelhança REALMENTE seja mera coincidência. No futuro, Mike Patton e Anthony Kiedis se odiariam, mas isso é assunto para outro post.

A performance da banda é impecável (o que se repetiria nos outros dois álbuns), e ver as músicas do Bungle ao vivo é um prazer por vários motivos: além de você ver que os caras se divertem pacas tocando, o entrosamento é fantástico. Quem é músico (a) como eu sabe como é difícil ter uma banda entrosada como o Mr. Bungle.

Recomendadíssimo, e a odisséia Bungle (gostei disso) continua...

Eis aqui o vídeo de The Girls Of Porn ao vivo em 1991: