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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Artista: Laura Nyro; Álbum: Eli and the Thirteenth Confession



Artista: Laura Nyro
Álbum: Eli And The Thirteenth Confession
Ano: 1968
Gênero: R&B; Pop; Gospel; Soul

Acho que poucas pessoas discordam que os anos 60 representaram um salto cultural inacreditável no mundo ocidental. Muita coisa mudou em vários aspectos, e na música não poderia ser diferente.

Eu sei que o parágrafo acima é um clichê deveras desgastado, mas foi a melhor maneira que encontrei para começar a escrever sobre este álbum da cantora americana Laura Nyro lançado em 1968.

Pra começar, eu nunca tinha ouvido falar dessa cantora até poucos dias atrás, quando estava pesquisando por material "novo" dos anos 60. E quando vi a capa do álbum Eli and the Thirteenth Confession, achei que tinha trombado sem querer em um álbum do Nightwish ou de alguma banda parecida.

Laura Nyro nasceu no Bronx, em Nova Iorque, em 1947, filha de um afinador de piano e de uma bibliotecária. Aprendeu a tocar piano e a cantar sozinha quando criança e sempre se interessou por literatura e poesia e começou a compor aos oito anos de idade. O curso natural das coisas a levou a seguir a carreira musical, e ela cita a grande Nina Simone como uma de suas principais influências (um dia faço uma resenha de um disco da Nina aqui).

Por sempre ter tido contato com a cultura negra da época (que, vale lembrar, era de muita segregação nos EUA) Laura Nyro desenvolveu um estilo muito peculiar de compor, agregando elementos musicais do jazz, gospel e R&B ao rock e ao doo wop, resultando em uma combinação muito interessante. É tão forte essa influência que, sem ver a capa do disco, é muito fácil deduzir equivocadamente que Laura era negra pelo estilo da música que cantava em sua época.

O debut de Laura Nyro foi o bem recebido More Than a New Discovery, de 1967, mas o álbum aqui resenhado é o segundo, Eli and the Thirteenth Confession, lançado no começo de 1968 quando a cantora tinha 20 (!) anos. Todas as músicas foram compostas por ela, assim como em seu debut - a moça era muito talentosa.

No meu caso, bastou escutar a primeira faixa do disco - Luckie - para ser conquistado. A introdução grandiosa, cheia de metais com a voz potente da moça e a súbita pausa para a volta em clima de jazz, que depois vira rock e até funk. As mudanças constantes de andamento são encantadoras, e é uma das marcas mais fortes da compositora.

Lu é uma das minhas favoritas. A melodia deliciosa cantada por Laura, que logo é acompanhada por backing vocals assaz competentes, fica na cabeça. É gritante a influência da música negra americana nessa música. Sensacional!

Sweet Blindness começa com um quê de Beach Boys para, novamente, nos surpreender com as mudanças abruptas de andamento. Aproveito para fazer um adendo: quando falo nas mudanças de andamento nas músicas de Laura Nyro estou me referindo a algo muito mais suave e acessível que as mudanças de andamento em uma música do Fantômas, por exemplo. As músicas desse disco, apesar das melodias elaboradas e tempos complexos, são extremamente calcadas no pop, e isso o torna muito especial.

Poverty Train, por exemplo, tem uma levada totalmente blues logo de cara, mas é um belíssimo soul em sua maioria. A voz de Laura está muito mais para o grave nessa música, e a interpretação é impecável. "I just saw the devil and he's smiling at me".

Lonely Women poderia facilmente ter saído de um disco da Nina Simone. Começa totalmente intimista, freeform, e do nada fica com uma cara meio Clube da Esquina. É estranha assim e bela assim. Nem preciso dizer que a interpretação de Nyro é um show à parte.

Eli's Comin' é o que mais se aproxima de uma faixa título. Gosto muito da descrição que o reviewer da Allmusic.com fez: "essa música dá mais guinadas e voltas que uma cobra no chão quente do deserto". E é exatamente isso. Ela passa de um começo profundo e lento a um ritmo frenético, com muita influência de gospel, para depois voltar ao clima sombrio, muito bem texturizado pelos instrumentos e vozes. Uma belíssima composição.

Timer começa operesca, com Laura demonstrado uma versatilidade vocal impressionante, mas tirando isso é uma das menos interessantes do álbum. O mesmo não podemos dizer de Stoned Soul Picnic, com seu clima totalmente sessentista. Poderia facilmente ser regravada por alguma banda vocal como The Mamas and The Papas ou 5th Dimension - os últimos, inclusive, a regravaram. Lisérgica e onírica.

Emmie é uma balada fluida e belíssima, deliciosa de se escutar e com um final emocionante. As orquestrações, a voz... tudo, mais uma vez, está no lugar.

Woman's Blues é uma das mais ambiciosas do álbum. Começa com uma pegada erudita mas evolui para um soul extremamente swingado, com direito até a clavinete no final. A letra é incrivelmente pessoal e dramática. "Go live as long as an elephant, but there won't be more lovin' woman than me".

Once It Was Alright (Farmer Joe) é animada, dançante, bebendo da fonte do gospel e do soul mais uma vez, com transições menos suaves que das músicas anteriores. Talvez por isso seja um pouco menos acessível, mas novamente é um prazer escutar Laura cantando.

December's Boudoir é lentíssima, totalmente livre, guiada totalmente por piano e voz com texturas de harpa e orquestra. É a música mais lenta do álbum, e certamente a mais intimista.

A 13ª e última música do álbum, como o nome sugere, é The Confession. De todas as músicas talvez seja a que mais bebe da fonte do rock, mas não qualquer rock e sim da nata do rock sessentista - aquele rock orquestrado e elaborado que começou a aparecer na metade da década. E o final é realmente um gran finale, intenso como a abertura de Luckie, a primeira faixa.

Uma curiosidade interessantíssima: a versão em vinil do álbum trazia o encarte interno com letras - o que já era raro - e, como se não bastasse, ele era perfumado. Quem tem a versão original diz que o perfume dura até hoje, mais de 42 anos depois do lançamento e 13 da morte de Laura Nyro de câncer de ovário, aos 49 anos de idade.

Recomendadíssimo.

Tracklist:
  1. "Luckie" – 3:00
  2. "Lu" – 2:44
  3. "Sweet Blindness" – 2:37
  4. "Poverty Train" – 4:16
  5. "Lonely Women" – 3:32
  6. "Eli's Comin'" – 3:58
  1. "Timer" – 3:22
  2. "Stoned Soul Picnic" – 3:47
  3. "Emmie" – 4:20
  4. "Woman's Blues" – 3:46
  5. "Once It Was Alright Now (Farmer Joe)" – 2:58
  6. "December's Boudoir" – 5:05
  7. "The Confession" – 2:50

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Artista: George Harrison; Álbum: Dark Horse



Artista: George Harrison
Álbum: Dark Horse
Ano: 1974
Gênero: Rock

Depois que o sonho acabou, os quatro Beatles seguiram suas carreiras-solo com características bem diferentes umas das outras. John lançou Plastic Ono Band em 1970, um ótimo trabalho minimalista e cru de perfil autobiográfico e quase terapêutico. Paul McCartney já havia lançado seu debut McCartney em 1970, e nele estavam duas das melhores músicas de toda a sua carreira: Junk e Maybe I'm Amazed. Ringo Starr, no mesmo ano do fim dos Beatles (1970) lançou dois álbuns: Sentimental Journey e Ringo; o segundo reuniu todos os beatles em diferentes faixas e foi um sucesso de vendas.

Foi George Harrison quem lançou o debut mais vendido de todos: All Things Must Pass, de 1970. Um álbum triplo de material rejeitado pelos outros beatles (principalmente Paul) e considerado por muitos o melhor álbum que um dos Beatles lançou em carreira solo. Em seguida lançou o também aclamado Living In The Material World, de 1973. E em seguida veio o álbum tratado aqui: Dark Horse, de 1974.

Por que incluir Dark Horse na categoria "Música Estranha e Boa"? Simples: é estranho porque George gravou o disco todo sem ter se recuperado completamente de uma grave laringite. E é bom porque é George Harrison.

A vida pessoal de George Harrison em 1974 estava repleta de novidades. Além do fim de seu relacionamento com a então esposa Pattie Boyd (que iria se casar com um dos melhores amigos de George, Eric Clapton, que inclusive participa do disco), George estava arrastando suas asas para cima de Olivia Arias, que seria sua companheira até a morte em 2001. E aliado a tudo isso está a já citada laringite, que deixou a voz de George completamente rouca. Mas vamos às canções.

Hari's On Tour (Express) é a faixa de abertura. Um belo instrumental, cheio de saxofones e slides. Muito animada, técnica e sem dúvida uma ótima abertura. E em seguida começa uma das músicas mais bonitas da carreira solo de George: Simply Shady. Uma letra filosófica e uma melodia muito trabalhada servem de fundo para uma voz rouca, que se esforça muito para alcançar cada nota mais aguda.

So Sad tem algo de sonhador, como Lucy In The Sky With Diamonds de John. Mais uma vez a música é diretamente influenciada (piorada/melhorada?) pela voz estranha de George. Não sei porque, mas sinto que a banda brasileira Supercordas (eles ainda vão ter uma resenha aqui) foi muito influenciada por essa música. Mais uma letra transcendental de George.

Bye, Bye Love é no mínimo irônica. Como já disse, foi em 1974 que Pattie Boyd (ex-mulher de George) trocou o ex-beatle por Eric Clapton, seu melhor amigo. Foi uma separação traumática, principalmente para Pattie, mas aqui o triângulo amoroso aparece junto, neste cover modificado da música dos Everly Brothers, de 1957. George alterou alguns versos para que a música fizesse referência ao ocorrido, e chamou Pattie para fazer os backing vocals e Eric para tocar guitarra. Situação estranha, ótima música.

Māyā Love é um belo rock and roll, com a participação de Billy Preston e mais uma vez é gritante a dificuldade que George tem para cantar a música, devido à laringite. Ding Dong é curiosa por ser uma música de ano novo. Boa parte da melodia se baseia nos tradicionais sinos, aqueles mesmos que Paul McCartney utilizou no início da famosa Let'em In. Entretanto, a música de George é alegre e traz uma letra quase infantil.

Dark Horse é um country rock, e talvez tenha sido a faixa mais castigada pelas condições da voz de George (inclusive, alguns críticos maldosos apelidaram o álbum de Dark Hoarse. "Hoarse" significa "rouco"). É uma faixa muito bem arranjada e com um refrão pegajoso, mas... ok, não falo mais que a voz de George prejudicou a música.

Far East Man tem um toque Pink Floyd, muito parecido com aquele de muitas faixas do All Things Must Pass. Deliciosa de se ouvir, leve e com os vocais muito bem executados (apesar de... enfim). E o gran finale fica por conta da religiosa It Is He (Jai Sri Krishna). Faixa alegre, como a maioria das músicas religiosas, e a voz de George parece não estar tão prejudicada. Traz até tablas, em referência à cultura hindu. Nada mais George Harrison que isso.

Dark Horse é um ótimo álbum. Certamente não é o melhor da carreira de George, mas é o mais curioso por trazer todos esses fatores já citados. Em breve postarei o artigo traduzido de Pattie Boyd para o Daily Mail.

O tracklist é o seguinte:
1. Hari's On Tour (Express)
2. Simply Shady
3. So Sad
4. Bye Bye, Love
5. Māyā Love
6. Ding Dong
7. Dark Horse
8. Far East Man
9. It Is He (Jai Sri Krishna)

Abaixo, a faixa título:

quinta-feira, 30 de março de 2006

Banda: The Beatles; Álbum: The Beatles (ou White Album)



Banda: The Beatles

Álbum: The Beatles (ou White Album)
Ano: 1968
Gênero: Rock

Quem lê este blog (se é que alguém lê) deve estar se perguntando: "primeiro esse (a) maluco (a) fala de uns discos e bandas que eu nunca ouvi falar, e agora vem falar de Beatles?". Pois é, Beatles. O maior ícone pop de todos os tempos. A maior banda de todos os tempos. A maior lenda musical de todos os tempos.

Os garotos de Liverpool, que começaram a carreira no fim dos anos 50 e anunciaram que o sonho estava acabado em 1970, com certeza foram revolucionários. Reinventaram o rock and roll, dando pitadas de carisma e criatividade nunca vistos antes. Contar a história dos Beatles em poucas linhas é muito difícil, visto que existem muitos detalhes e, mesmo tendo durado cerca de 10 anos, foi muito intensa. Já é muito conhecido, por exemplo, que não houveram crimes nos EUA durante a exibição da performance dos Beatles no programa de Ed Sullivan. É óbvio que eles mexeram com a cabeça de muita gente.

Mas os Beatles não foram só iê-iê-iê. A partir da metade dos anos 60, se envolveram com as drogas alucinógenas (principalmente ácido lisérgico, o tão famoso LSD) e mudaram progressiva e radicalmente de estilo. A mudança já era perceptível em Help!, lançado em 1965 - músicas como "I Need You" e "Tell Me What You See" já mostavam que o Fab Four estava amadurecendo. Muita coisa boa se seguiu desde então (incluindo os clássicos Rubber Soul, Revolver e a lenda Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band), mas eu vejo que o auge criativo/musical dos Beatles foi atingido em 1968 (isso mesmo, no ano que não terminou) - o álbum alto intitulado, ou White Album, ou simplesmente Álbum Branco.

Muita especulação se fez a respeito deste álbum, visto que os Beatles passaram um bom tempo na Índia e pouco se sabia a respeito das novas composições. Além disso, o último trabalho lançado por eles havia sido o filme Magical Mistery Tour, que foi considerado o primeiro fracasso dos Beatles - a pressão era grande.

Para complicar ainda mais a situação, Ringo Starr anunciou sua saída dos Beatles por ter seu talento "subestimado pelos outros". Porém, retornou à banda duas semanas depois e encontrou sua bateria coberta por flores. Mas vamos ao Álbum Branco.

Ao retornar da Índia, os Beatles trouxeram uma enorme quantidade de material novo - ou melhor: John trouxe muito material, Paul trouxe muito material, George trouxe muito material e - pasmem - Ringo, que nunca havia composto uma única música, trouxe material. Não havia uma única composição em conjunto. A individualidade estava à flor da pele, e era o começo do fim dos Beatles. Mas isso contribuiu com a gravação de um dos melhores álbuns de todos os tempos. Para facilitar, dividirei esta resenha por membro dos Beatles, começando por John.

As Músicas de John
John Lennon contribuiu com 13 das 30 músicas. Dear Prudence, Glass Onion, Continuing Story of Bungalow Bill, Happiness Is A Warm Gun, I'm So Tired, Julia, Yer Blues, Everybody's Got Something To Hide Except Me And My Monkey, Sexy Sadie, Revolution 1, Cry Baby Cry, a tão controversa Revolution 9 e Good Night.

John havia acabado de conhecer Yoko Ono e estava extremamente apaixonado (Ono aparece, inclusive, nas gravações de Continuing Story of Bungalow Bill e Revolution 9), mas ainda era John Lennon. A busca por novos elementos e sons beira o experimentalismo. Embora ele mantenha sua veia melódica e sentimental em faixas como Julia e Dear Prudence, mostra influências totalmente modernas em Hapiness Is A Warm Gun, Continuing Story of Bungalow Bill e, claro, em Revolution 9. Falando em Revolution 9, vamos explicar o porquê desta faixa causar tanta polêmica.

Prá começar, nenhum dos outros Beatles queria que esta música entrasse no álbum, mas John fez tanta questão que não teve como dizer não. Muitos fãs defendem que Not Guilty, um blues de George, preencheria o espaço muito melhor, mas eu discordo por diversas razões. A primeira e mais forte é simples: Revolution 9 é absolutamente pioneira e ímpar. Não existe coisa parecida feita naquela época, e esta época é 1968 - um ano em que o mundo passou por tantas mudanças e revoltas. Todos os samples caóticos, gritos, protestos contidos na música são um retrato de 68. Além disso, foi de extrema inteligência colocar Revolution 9 entre as calmas Cry Baby Cry e Good Night - o contraste funciona muito bem, muito melhor que se Not Guilty assumisse o lugar. Outro fator é que Not Guilty me lembra, em algum aspecto, Old Brown Shoe, também de George, mas isso é muito pessoal e não vale como argumento. Falemos de Paul.

As Músicas de Paul
Paul contribuiu com 12 das 30 músicas: Back In The USSR, Ob-La-Di Ob-La-Da, Wild Honey Pie, Martha My Dear, Blackbird, Rocky Racoon, Why Don't We Do It In The Road, I Will, Birthday, Mother Nature's Son, Helter Skelter e Honey Pie.

Paul estava entrando em sua pior fase na vida pessoal. Bebia demais, estava ligeiramente deprimido e com atritos com os demais integrantes da banda. Porém, isso não impediu que Paul compusesse e gravasse suas músicas (mesmo que, muitas vezes, gravasse sem a presença dos outros Beatles no estúdio).

No começo das gravações, como já foi dito, Ringo deixou a banda alegando ser menosprezado e rejeitado pelos demais membros da banda, mas isso não fez com que os Beatles parassem o processo de gravação, e o baterista escolhido para substituir Ringo foi... Paul. A bateria de duas faixas do álbum branco são de Paul: Back In The USSR e Dear Prudence (The Ballad Of John and Yoko também conta com a bateria de Paul, mas por outro motivo: era o único músico além de John no estúdio naquele momento).

As composições de McCartney são, como sempre, as mais elaboradas do disco. Melodias muito bem compostas, variedades de ritmos, virtuosismo - não é à toa que Paul é o beatle preferido dos músicos eruditos. Mas algumas coisas bem interessantes aconteceram aqui.

Paul sempre foi tido como o Beatle doce e romântico - o compositor de baladas como And I Love Her, All My Loving, Yesterday e muitas outras. Mas neste disco Paul mostrou, junto ao romantismo, uma face extremamente agressiva e violenta, principalmente na faixa Helter Skelter - a música que "inspirou" Charles Manson e seu grupo a cometerem um dos massacres mais famosos dos anos 60. Pois é, uma das primeiras músicas de metal da história é dos Beatles - e do beatle mais sensível.

A variedade e incrível. Além da fúria de Helter Skelter, temos a doçura de I Will, o minimalismo de Blackbird, o experimentalismo de Wild Honey Pie... enfim, a criatividade é interminável. Vamos a George.

As Músicas de George
George foi o beatle que introduziu a música oriental nas composições dos Beatles. Além disso, sempre foi tido como o "beatle zen", e mesmo dentro das turbulências do álbum branco ele manteve a classe e a calma nas 4 músicas que escreveu - While My Guitar Gently Weeps, Piggies, Long Long Long e Savoy Truffle.

A canção mais bela de George é, com certeza, While My Guitar Gently Weeps, que conta com a participação de Eric Clapton. A leveza combinada com o feeling da guitarra forma um contraste incrível. As demais composições são bem diferentes entre si, quebrando a linearidade dos álbuns anteriores (tanto Within You Without You quanto Blue Jay Way apresentavam cítaras e elementos típicos de música indiana). Piggies é uma crítica muito bem humorada à corrupção política. Long Long Long é uma declaração de amor à Deus e Savoy Truffle brinca com a fixação de Eric Clapton por doces. Cada uma com seu estilo, ora folk ora soul.

Uma composição de George ficou fora do álbum, a ótima Not Guilty, um blues cheio de groove. Mas o espaço de George era limitado por John e Paul, e desta vez havia mais alguém reclamando seu espaço.

A Música de Ringo
Pela primeira vez na história dos Beatles, Ringo contribuiu com uma composição. A meio country Don't Pass Me By tem um refrão grudento, violinos bem executados e a clássica voz anasalada de Ringo.

Além da composição própria, Ringo canta Good Night, de Paul, para encerrar o disco.

Encerrando...
O álbum branco é totalmente diferente dos demais trabalhos dos Beatles. A individualidade interfiriu positivamente nas composições, trazendo à tona a criatividade de cada um. Infelizmente o péssimo clima entre os integrantes levaria a banda ao seu fim dois anos mais tarde, mas fica este legado que influenciou muitos, mas muitos músicos no futuro.

O tracklist é o seguinte:

Disco 1:
1. Back In The USSR
2. Dear Prudence
3. Glass Onion
4. Ob-La-Di, Ob-La-Da
5. Wild Honey Pie
6. The Continuing Story Of Bungalow Bill
7. While My Guitar Gently Weeps
8. Happiness Is A Warm Gun
9. Martha My Dear
10. I'm So Tired
11. Blackbird
12. Piggies
13. Rocky Racoon
14. Don't Pass Me By
15. Why Don't We Do It In The Road
16. I Will
17. Julia

Disco 2:
1. Birthday
2. Yer Blues
3. Mother Nature's Son
4. Everybody's Got Something To Hide Except Me And My Monkey
5. Sexy Sadie
6. Helter Skelter
7. Long Long Long
8. Revolution 1
9. Honey Pie
10. Savoy Truffle
11. Cry Baby Cry
12. Revolution 9
13. Good Night